“A luta de classes não é contra quem veio de baixo”

Política

A luta de classes costuma ser lembrada como um conceito teórico distante do cotidiano. Mas o tema volta ao debate sempre que surgem tensões políticas, econômicas e sociais. E, nesse contexto, uma pergunta relevante emerge: é justo direcionar conflito de classe contra alguém que nasceu em família humilde, filho de agricultores familiares ou pequenos comerciantes, e que sempre dependeu de ônibus lotado para trabalhar?

A resposta é clara: não. Esse tipo de pessoa faz parte da própria classe trabalhadora — justamente o grupo que historicamente enfrenta dificuldades para acessar renda, oportunidades e direitos.

A luta de classes, em seu sentido original, não é um ataque a indivíduos. É uma forma de compreender como a desigualdade se organiza e como determinados grupos concentram poder em detrimento de outros. Trabalhadores, pequenos produtores e microempreendedores não estão entre aqueles que determinam o funcionamento da economia, tampouco entre os que lucram com a precarização do trabalho alheio.

Ao confundir o debate e transformar cidadãos comuns em adversários, perde-se de vista o que realmente importa: a necessidade de fortalecer direitos, melhorar condições de vida e promover justiça social. A divisão artificial entre pessoas com experiências semelhantes apenas enfraquece a capacidade de reivindicação coletiva.

A luta de classes, no sentido sociológico, não escolhe indivíduos como alvo. Ela questiona estruturas que dificultam o acesso a serviços públicos de qualidade, geram insegurança econômica e perpetuam condições desiguais. Agricultores familiares, comerciantes pequenos e trabalhadores urbanos estão do mesmo lado dessa realidade.

Quando o debate é recolocado em seu devido lugar, torna-se possível dialogar de forma mais consciente e entender que a verdadeira transformação social nasce da união — e não da fragmentação — entre aqueles que compartilham os mesmos desafios.

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