O Tarifaço de Trump e a Aceleração da Multipolarização Global: Uma Análise da Primeira e Atual Presidência

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O “tarifaço”, uma política central da primeira presidência de Donald Trump, que ocorreu de 2017 a 2021, representou uma ruptura significativa com o multilateralismo. Embora o objetivo fosse proteger a indústria americana, a imposição de tarifas sobre importações teve um efeito profundo e duradouro, acelerando a multipolarização da hegemonia mundial. As sementes dessa mudança, plantadas naquele período, continuam a moldar o cenário global, inclusive no atual mandato de Trump, que se iniciou em 20 de janeiro de 2025.


O Fim da “Pax Americana” e o Impulso a Novas Potências (2017-2021)

Por décadas, a ordem econômica global foi estruturada em torno dos Estados Unidos. Contudo, as ações unilaterais de Trump, como a imposição de tarifas sobre aço e alumínio em 2018, abalaram a confiança no sistema e sinalizaram que Washington não estava mais totalmente comprometida com as regras que ajudou a estabelecer. Essa postura nacionalista e protecionista gerou uma onda de retaliações e incentivou outras nações a buscar alternativas.

Nesse vácuo de liderança, potências como a China, a Rússia e até mesmo a União Europeia começaram a fortalecer suas próprias esferas de influência. A China, em particular, expandiu rapidamente sua iniciativa “Cinturão e Rota” (Belt and Road Initiative), forjando novas parcerias comerciais e oferecendo uma alternativa ao financiamento ocidental. A Rússia estreitou alianças estratégicas no Oriente Médio e na Ásia, buscando reduzir a dependência dos mercados europeu e americano. As medidas de 2017-2021 não apenas contestaram a ordem unipolar, mas deram o impulso decisivo para que a multipolarização se tornasse uma realidade incontornável.


Os Legados do Tarifaço no Cenário Global Atual (A Partir de 2025)

Os efeitos do primeiro mandato de Trump não desapareceram com sua saída da Casa Branca em 2021; pelo contrário, consolidaram-se. A desconfiança gerada pelo uso do dólar como arma política impulsionou a busca por novas moedas de referência, como o yuan chinês, e fortaleceu o uso de moedas locais em transações bilaterais. Esse movimento em direção à desdolarização, catalisado pelo “tarifaço”, é agora uma tendência global com a qual a atual administração de Trump precisa lidar.

O enfraquecimento de instituições multilaterais como a OMC, uma consequência direta do primeiro mandato, deixou um vácuo que outras potências buscam preencher. A União Europeia e a China, por exemplo, têm se posicionado como líderes na defesa de uma cooperação global em temas como comércio e clima, embora com visões distintas.

Em resumo, o “tarifaço” da primeira presidência de Trump foi mais do que uma política isolada; foi um divisor de águas geopolítico que acelerou o declínio da unipolaridade americana. Ao questionar as bases do sistema que ele próprio presidia, o governo de 2017-2021 inadvertidamente pavimentou o caminho para a ascensão de novas potências. A realidade de um mundo multipolar é o cenário que o atual mandato de Trump, iniciado em 20 de janeiro de 2025, agora herda e precisa navegar.

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