O Fio Tênue Entre o Vital e o Fatal: Uma Reflexão Sobre a Gratidão

Comportamento CULTURA

Nem sempre temos tudo que queremos, nem tudo que almejamos. Mas, se tivermos o que necessitamos, a gratidão é o primeiro passo, pois o necessário é vital.

Tanta gente se lamenta por morar com os pais, enquanto outras tantas choram por não os ter mais vivos. Tanta gente reclama por não possuir um carro, e, na mesma proporção, há quem lamente ter perdido um filho em um acidente fatal.

A linha entre o vital e o fatal é, por vezes, tênue demais. A fé em Deus, por exemplo, pode ser vital no ato de se curar de uma enfermidade grave, dando força e esperança; mas essa mesma fé pode se tornar fatal no fundamentalismo da guerra santa, que alimenta homens-bombas e gera tragédia.

O vital e o fatal moram, portanto, na nossa perspectiva e nas nossas escolhas.

Reclamamos do pão de cada dia por não ter um ingrediente exótico, e nos esquecemos de que para milhões o acesso à água potável é um luxo, e não um direito. É vital beber para sobreviver, mas a falta dessa necessidade básica se torna fatal rapidamente.

A verdadeira sabedoria reside em reconhecer o limite. O carro que é sinônimo de liberdade e progresso (vital) pode ser o veículo da imprudência e da morte (fatal). A casa que é abrigo e segurança (vital) pode se transformar em prisão quando a falta de gratidão impede o morador de enxergar as bênçãos contidas nela.

O que o texto nos convida a fazer é um exercício de foco: desviar o olhar do luxo que falta e fixá-lo na necessidade que já está suprida. A vida é um presente que pulsa no presente. Ter saúde, ter abrigo, ter quem amar, ter o que comer — isso é o vital.

A cada manhã, a escolha é nossa: alimentar a murmuração sobre o que nos falta ou nutrir a gratidão pelo necessário que nos mantém vivos. Porque, no balanço final, quando o fatal nos toca, a única coisa que realmente importa é o quanto valorizamos o tempo em que o vital nos foi dado.

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