A experiência recente dos brasileiros com a Enel escancarou uma verdade que muitos gestores públicos insistem em ignorar: privatizar serviços essenciais não é sinônimo de eficiência, qualidade ou benefício à população. Ao contrário, quando o lucro se sobrepõe ao interesse público, quem paga a conta é sempre o cidadão.
Apagões prolongados, falhas recorrentes no fornecimento de energia e um atendimento distante e ineficiente tornaram-se rotina em áreas atendidas pela Enel. Mesmo assim, a empresa segue apresentando resultados financeiros robustos, com parte significativa desses lucros sendo remetida ao exterior. O modelo é claro: socializam-se os prejuízos e privatizam-se os ganhos.
Energia elétrica, água e saneamento não são produtos comuns. São serviços essenciais à vida, à saúde pública e ao desenvolvimento econômico. Quando o controle desses setores estratégicos é transferido ao mercado, a lógica deixa de ser a universalização do serviço e passa a ser a maximização do lucro. Regiões menos rentáveis, populações mais pobres e investimentos de longo prazo tendem a ser negligenciados.
A Copasa, apesar de seus problemas — que devem ser enfrentados com transparência, controle social e boa gestão — cumpre um papel estratégico em Minas Gerais. É uma empresa que responde ao interesse público, está sujeita ao controle do Estado e pode ser aprimorada por meio de investimentos, planejamento e participação da sociedade. Privatizá-la não resolve ineficiências; apenas muda o destinatário da conta e reduz a capacidade de controle da população sobre um bem comum.
A experiência da Enel deveria servir como alerta, não como exceção. A promessa de que o setor privado traria investimentos automáticos, eficiência superior e tarifas mais justas não se confirmou. O que se viu foi a precarização do serviço e a perda de soberania sobre áreas fundamentais da infraestrutura.
Defender a Copasa pública é defender o direito à água, à saúde e à dignidade. É afirmar que certos serviços não podem ser regidos apenas pela lógica do mercado. Água não é mercadoria. Energia não é favor. São direitos.
Dizer não à privatização da Copasa não é um ato ideológico, mas uma posição baseada na experiência concreta, nos fatos e na defesa do interesse coletivo. A lição está dada. Resta saber se os governantes irão ouvi-la.

