Considero Lula uma escolha melhor para o Brasil porque acredito que o desenvolvimento de um país precisa ser medido pela vida que sua população consegue levar. Crescimento econômico importa, assim como investimento, produtividade e equilíbrio das contas públicas. Mas esses objetivos precisam se traduzir em alimentação adequada, trabalho digno, educação e acesso à saúde. É pela importância atribuída à proteção social em seu projeto político que vejo razões para defender Lula.
Essa posição não exige concordância com todas as decisões do governo. Apoiar um presidente não significa dispensá-lo de fiscalização, minimizar erros ou justificar qualquer aliança. Uma preferência política responsável admite críticas e cobra resultados. É possível considerar Lula a melhor alternativa e, simultaneamente, exigir mais transparência, competência administrativa e responsabilidade no uso dos recursos públicos.
Um fundamento concreto dessa preferência é a política de transferência de renda. Em 2023, a Lei nº 14.601 instituiu o Bolsa Família em substituição ao Auxílio Brasil, com objetivos que incluem o combate à fome, a interrupção da reprodução da pobreza entre gerações e a proteção das famílias.
A existência de um programa não garante, sozinha, que todos os seus objetivos sejam alcançados. Sua execução precisa ser acompanhada e aperfeiçoada. Ainda assim, considero correta a escolha de tratar a privação material como uma responsabilidade pública. Uma criança não pode esperar que todos os problemas estruturais da economia sejam resolvidos para ter o que comer.
A transferência de renda também precisa caminhar junto com oportunidades. O horizonte desejável é que as famílias tenham condições de construir autonomia, com emprego, qualificação, creches e serviços públicos que funcionem. Na minha avaliação, proteger quem enfrenta dificuldades e ampliar suas possibilidades são compromissos complementares. A dignidade não deveria depender de uma pessoa conseguir vencer sozinha obstáculos que começam muito antes de sua entrada no mercado de trabalho.
Outro ponto relevante é a possibilidade de combinar políticas sociais com mudanças econômicas estruturais. Durante o atual mandato de Lula, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional nº 132, que estabeleceu a estrutura da reforma tributária sobre o consumo. A medida é uma realização legislativa, construída por diferentes atores, e seus efeitos dependem da implementação.
Esse exemplo reforça uma convicção: o Brasil precisa de negociação institucional para enfrentar problemas difíceis. Nenhum presidente governa sozinho, e nenhuma liderança deveria apresentar a complexidade do país como algo que se resolve exclusivamente pela força de sua vontade. A capacidade de construir acordos tem valor, desde que não se transforme em tolerância com práticas indevidas ou abandono de compromissos públicos.
Minha defesa de Lula também parte do tipo de sociedade que considero desejável. Quero um país em que a pobreza não seja tratada como defeito moral, em que o acesso a direitos não dependa da renda e em que diferenças de origem, religião ou modo de vida não diminuam a cidadania de ninguém. Vejo maior afinidade entre esses valores e um projeto político que coloca a inclusão social entre suas prioridades.
Isso não concede ao governo um certificado permanente de acerto. A defesa de políticas públicas exige perguntar se elas chegam a quem precisa, quanto custam e que resultados produzem. Combater desigualdades não dispensa responsabilidade fiscal; exige escolhas orçamentárias sustentáveis para que a proteção não seja interrompida justamente quando as famílias mais dependem dela.
Por essas razões, considero Lula uma alternativa melhor para o Brasil. Meu apoio está ligado a prioridades que podem e devem ser cobradas: proteção social, oportunidades e redução das desigualdades. É uma preferência acompanhada de exigência. O compromisso principal deve permanecer com a população, e qualquer governo merece ser avaliado pela capacidade de melhorar sua vida.

